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Sexta-feira, 21.11.08

Retrato de Família – 22

Por Ruaz Ramos

Nome: José Dias Procópio

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Nome: José Dias Procópio

Local de Nascimento: Lisboa

Data do Nascimento: 13 - 10- 1929

Profissão: Reformado (Profabril)

Estado Civil: Casado

 

Currículo Damista:

Campeão Nacional – Clássicos (2000)

Colaborador do Jornal do Barreiro

Colaborador do Matosinhos Hoje

Colaborador de O Comércio de Leixões

Seccionista Grupo Desportivo da CUF (68/70)

 

Mais um quadro para a nossa colecção. É o actual Campeão de Problemas Clássicos. Um nome pouco conhecido no nosso meio já que se trata de uma pessoa simples, um pouco tímida e pouco frequentador dos meios damísticos. Tem o seu habitat na cidade do Barreiro aonde o fomos entrevistar, a compasso de um almoço de choquinhos à algarvia que à mesa do Restaurante foram acompanhados por um belo…Tabuleiro de Damas.  

Como recebeu a notícia de ser o Campeonato Nacional de Produções - Clássicos?

Fiquei muito satisfeito por ter alcançado o título mas sinto alguma falta de brilho na vitória porque só a consegui devido à desclassificação, por antecipação, da Composição Artística do amigo Lobato. É pena que assim tenha acontecido mas, enfim, regras são regras.

Aproveito a oportunidade para prestar homenagem ao Lobato pela preciosa ajuda que me dá na revisão de todos os meus trabalhos o que, em 80% dos casos, evita demolições. Cá no Barreiro, eu, o Lobato e o Bernardo constituímos uma verdadeira equipa de Problemistas.

O seu nome surge por vezes nalguns jornais, em rodapé de Composições Artísticas...

Sim, de facto tenho publicado no Jornal do Barreiro, Matosinhos de Hoje e O Comércio de Leixões algumas das minhas Produções. Também cheguei a colaborar com o Jornal de Almada mas acabei por desistir pois, como o Mário Diniz Vaz tem muitos colaboradores, os problemas só eram publicados passado muito tempo. E, sabe, quando se envia um trabalho gostamos de o ver logo publicado. Quando compomos um Problema, por muito fraco que seja, consideramo-lo sempre como uma verdadeira obra. Penso que acontece com todos …

Começou então pelo Jogo Prático e depois passou para a Composição Artística?

Não. Por acaso comecei pela composição. Pelos meus dezoito anos comecei a frequentar a Sociedade de Geografia – perto do Coliseu dos Recreios – onde me entretinha a ver jogar. Um dia vi um final de jogo empatado e quando cheguei a casa coloquei a posição no Tabuleiro.

Após uns toques, criei o que viria a ser a minha primeira Produção. Só passados dez anos, é que foi publicada. Foi o Lobato quem a enviou ao malogrado Jacinto Joaquim que era o seccionista do Cidade de Tomar e que, por acaso, me teceu grandes elogios. Isso deu-me alento a retomar a Composição e fiz coisas giras. Mas um dia tive um grande desgosto com um trabalho que enviei para a Secção da Revista Telejogos que era orientada pelo Diniz Vaz. O Dr. OAL escreveu um comentário dizendo que aquele Problema era uma cópia dum trabalho dele. Pareceu-me que ficara muito aborrecido e fiquei triste porque embora o meu Problema fosse desaguar no mesmo tema, que aliás desconhecia, o diagrama inicial não tinha nada a ver com o dele. Fiquei desolado e pensei mesmo desistir.

Não o temos visto pelos Torneios Abertos tão em voga. Não gosta do Jogo Prático?

Gosto muito. Mas acontece que aqui no Barreiro, onde resido desde os vinte e nove anos de idade, muitos jogadores, por uma razão ou por outra, deixaram de jogar às Damas. Alguns dedicaram-se mais às cartas. Dantes, jogava-se num ou noutro Café; mas a pouco e pouco essas casas foram desaparecendo. Acontece que as secções damistas das colectividades também se foram desagregando e hoje é difícil encontrar parceiro. Foi esse o principal motivo que me levou a abraçar a modalidade do Problemismo. Como jogador prático considero-me de nível médio. Nunca fui de estudar jogos e muito menos acedi a qualquer livro. Não participo nos Torneios porque não tenho a mínima hipótese de me bater com tantos galifões. Tenho mais jeito para o Problemismo. Olhe, gostava imenso de ter os Finais Práticos Básicos mas não sei se se vendem em separado nem faço ideia do seu preço.

Porque será que os Produtores embora de boa qualidade são em número reduzido?

Penso que muitos damistas gostam de se entreter a empurrar pedras sem apelo a um grande esforço mental. Veja que muitas vezes, quando nos propomos a ver uma posição acabada de acontecer em Jogo Prático, muitos jogadores dizem que isso não tem interesse! Nem todos sentem o prazer da criatividade e não são suficientemente perseverantes. Penso que uma das formas de promover esta variante das Damas é proporcionar mais concursos, e atribuindo não apenas o título de campeão mas também, pelo menos, o de Vice-Campeão. Se a Federação o não faz por questões financeiras, atribuam-se Certificados assinados pelos elementos do Júri e com o selo branco da Federação.

A sua mulher apoia o seu gosto pelas Damas ou opõem-se a esta paixão?

Opõem-se. Parece que tem ciúmes. Diz que eu estou em casa e que só ligo ao raio das Damas. Chega mesmo a “inventar” trabalhos para eu fazer só para me ver longe do Tabuleiro!

Mas o vício é grande e todas as manhãs lá estou eu de volta dele. Neste verão fui passar uns dias à praia e, como não posso apanhar muito sol, lá convenci a minha mulher a que da parte da tarde a iria pôr de novo junto ao mar e que depois, a determinada hora, voltaria a buscá-la. Concordou e eu, mal a largava, corria para casa a entreter-me à roda do Tabuleiro. Durante uns dias tudo correu muito bem mas não é que num dia me absorvi um bocado mais e me esqueci da mulher na praia?! Nem queira saber, foi o bom e o bonito…

Quem são para si os damistas de maior destaque?

No que respeita ao jogo prático, conheço mal os actuais jogadores e não gostaria de ser injusto; mas na área do Problemismo, que é a que melhor conheço, continuo a preferir, o Dr. Orlando Lopes, que continua a ser o meu ídolo, e depois, por ordem de preferência, o Dr. Sena Carneiro, o Dr. Jorge Fernandes, o Francisco Henriques e o José Trabuco.

Tem algum episódio que gostasse de partilhar com os outros damistas que nos lêem?

Há muitos anos, frequentava uma Leitaria nas Escadinhas do Duque, perto da Estação do Rossio, onde me entretinha a jogar um bocado com os diversos jogadores que por ali paravam. Ganhava a uns e perdia com outros. Acontece que um deles era sem dúvida o mais fraco e perdia com toda a gente. Com todos… menos comigo! É que, não sei por que carga de água, nunca consegui ganhar uma sessão àquele homem. Os outros damistas já me gozavam pois de facto todos sabiam que ele era mais fraco que eu. Mas o certo é que criei um tal complexo que nunca saí vencedor. Uma vez apanhei-me a ganhar por 3-0 e pensei cá para comigo: Hoje é que vai ser. Combinámos jogar mais três jogos e perdi todos! O adversário virou-se para mim e disse: Bem, vamos fazer um último jogo para ver se desempatamos. E assim foi, desempatámos: Perdi 4-3. Nunca mais me esqueci disto!

PS: As Damas não são apenas terreno para o “jogador prático”. A Composição Artística, vulgo “Problemismo” é talvez a área que mais apela à sensibilidade e intuição do Damista. De facto, é nesse espaço que se encontram jóias de rara beleza que nos fazem ficar presos ao “Tabuleiro”. José Procópio é um desses artífices e, embora a caminho dos oitenta anos, continua a produzir imensos problemas que, infelizmente, nem sempre consegue mostrar à comunidade, por falta de publicações da especialidade. Passará agora a colaborar nesta página com alguns dos seus trabalhos.

Todos os damistas desejam as rápidas melhoras ao amigo José Procópio.

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por lusodama às 17:24



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