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damas2



Quinta-feira, 27.11.08

Pare, pense e jogue – 153

Por Ludoxer

Ludoxer

ppj-153.jpg
Jogam brancas e?

Solução do pare, pense e jogue (152)

Pode parecer “claramente empatado” mas o ganho é duma simplicidade desconcertante... depois de ser visto!

Solução: 32-19!, 07-04 (se 07-03; 19-10 e 30x17 GB); 19-08!, 04x25; 08-04, bloqueio frontal, etc GB.

Era o que queria, mas Veríssimo Dias topou um surpreendente (para mim!) empate: 32-19, 29-26!; 19x29, 07-04 tomando o peão atacado ou apossando-se do rio.

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por lusodama às 15:22

Segunda-feira, 24.11.08

O jogador e o problemista (um “mistério” para o leitor desvendar!) – parte II

Por Luís Xavier

(Continuação)

Há tempos um dos meus jogos atingiu esta posição:

jp-2.jpg

As brancas eram minhas. O adversário acabara de fazer dama na #04. Depois de pensar alguns minutos conclui que não poderia deixar tomar o pb atacado e joguei-o para a #18. O condutor das pretas respondeu com o lógico (e bom) 04-14 (claro que pensou que se 04-08; 26-29, 30x17, 18-22 e 29x19 etc GB.)... E acabei por ganhar!

Fez-se silêncio… Entretanto o problemista retomou a palavra:

- A tua expressão denuncia que desejas saber como. Pois bem, digo-te: Da mesma maneira que poderiam ganhar as brancas na linha que te intrigou na posição que recordaste!

E o jogador debruçando-se demoradamente sobre ambas as “situações- mistério” acabou por matar a “charada!” Bravo, exclamou o problemista!

Vista o leitor a pele do jogador e receba também os parabéns do problemista…

 (Fim)

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por lusodama às 23:23

Sexta-feira, 21.11.08

Retrato de Família – 22

Por Ruaz Ramos

Nome: José Dias Procópio

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Nome: José Dias Procópio

Local de Nascimento: Lisboa

Data do Nascimento: 13 - 10- 1929

Profissão: Reformado (Profabril)

Estado Civil: Casado

 

Currículo Damista:

Campeão Nacional – Clássicos (2000)

Colaborador do Jornal do Barreiro

Colaborador do Matosinhos Hoje

Colaborador de O Comércio de Leixões

Seccionista Grupo Desportivo da CUF (68/70)

 

Mais um quadro para a nossa colecção. É o actual Campeão de Problemas Clássicos. Um nome pouco conhecido no nosso meio já que se trata de uma pessoa simples, um pouco tímida e pouco frequentador dos meios damísticos. Tem o seu habitat na cidade do Barreiro aonde o fomos entrevistar, a compasso de um almoço de choquinhos à algarvia que à mesa do Restaurante foram acompanhados por um belo…Tabuleiro de Damas.  

Como recebeu a notícia de ser o Campeonato Nacional de Produções - Clássicos?

Fiquei muito satisfeito por ter alcançado o título mas sinto alguma falta de brilho na vitória porque só a consegui devido à desclassificação, por antecipação, da Composição Artística do amigo Lobato. É pena que assim tenha acontecido mas, enfim, regras são regras.

Aproveito a oportunidade para prestar homenagem ao Lobato pela preciosa ajuda que me dá na revisão de todos os meus trabalhos o que, em 80% dos casos, evita demolições. Cá no Barreiro, eu, o Lobato e o Bernardo constituímos uma verdadeira equipa de Problemistas.

O seu nome surge por vezes nalguns jornais, em rodapé de Composições Artísticas...

Sim, de facto tenho publicado no Jornal do Barreiro, Matosinhos de Hoje e O Comércio de Leixões algumas das minhas Produções. Também cheguei a colaborar com o Jornal de Almada mas acabei por desistir pois, como o Mário Diniz Vaz tem muitos colaboradores, os problemas só eram publicados passado muito tempo. E, sabe, quando se envia um trabalho gostamos de o ver logo publicado. Quando compomos um Problema, por muito fraco que seja, consideramo-lo sempre como uma verdadeira obra. Penso que acontece com todos …

Começou então pelo Jogo Prático e depois passou para a Composição Artística?

Não. Por acaso comecei pela composição. Pelos meus dezoito anos comecei a frequentar a Sociedade de Geografia – perto do Coliseu dos Recreios – onde me entretinha a ver jogar. Um dia vi um final de jogo empatado e quando cheguei a casa coloquei a posição no Tabuleiro.

Após uns toques, criei o que viria a ser a minha primeira Produção. Só passados dez anos, é que foi publicada. Foi o Lobato quem a enviou ao malogrado Jacinto Joaquim que era o seccionista do Cidade de Tomar e que, por acaso, me teceu grandes elogios. Isso deu-me alento a retomar a Composição e fiz coisas giras. Mas um dia tive um grande desgosto com um trabalho que enviei para a Secção da Revista Telejogos que era orientada pelo Diniz Vaz. O Dr. OAL escreveu um comentário dizendo que aquele Problema era uma cópia dum trabalho dele. Pareceu-me que ficara muito aborrecido e fiquei triste porque embora o meu Problema fosse desaguar no mesmo tema, que aliás desconhecia, o diagrama inicial não tinha nada a ver com o dele. Fiquei desolado e pensei mesmo desistir.

Não o temos visto pelos Torneios Abertos tão em voga. Não gosta do Jogo Prático?

Gosto muito. Mas acontece que aqui no Barreiro, onde resido desde os vinte e nove anos de idade, muitos jogadores, por uma razão ou por outra, deixaram de jogar às Damas. Alguns dedicaram-se mais às cartas. Dantes, jogava-se num ou noutro Café; mas a pouco e pouco essas casas foram desaparecendo. Acontece que as secções damistas das colectividades também se foram desagregando e hoje é difícil encontrar parceiro. Foi esse o principal motivo que me levou a abraçar a modalidade do Problemismo. Como jogador prático considero-me de nível médio. Nunca fui de estudar jogos e muito menos acedi a qualquer livro. Não participo nos Torneios porque não tenho a mínima hipótese de me bater com tantos galifões. Tenho mais jeito para o Problemismo. Olhe, gostava imenso de ter os Finais Práticos Básicos mas não sei se se vendem em separado nem faço ideia do seu preço.

Porque será que os Produtores embora de boa qualidade são em número reduzido?

Penso que muitos damistas gostam de se entreter a empurrar pedras sem apelo a um grande esforço mental. Veja que muitas vezes, quando nos propomos a ver uma posição acabada de acontecer em Jogo Prático, muitos jogadores dizem que isso não tem interesse! Nem todos sentem o prazer da criatividade e não são suficientemente perseverantes. Penso que uma das formas de promover esta variante das Damas é proporcionar mais concursos, e atribuindo não apenas o título de campeão mas também, pelo menos, o de Vice-Campeão. Se a Federação o não faz por questões financeiras, atribuam-se Certificados assinados pelos elementos do Júri e com o selo branco da Federação.

A sua mulher apoia o seu gosto pelas Damas ou opõem-se a esta paixão?

Opõem-se. Parece que tem ciúmes. Diz que eu estou em casa e que só ligo ao raio das Damas. Chega mesmo a “inventar” trabalhos para eu fazer só para me ver longe do Tabuleiro!

Mas o vício é grande e todas as manhãs lá estou eu de volta dele. Neste verão fui passar uns dias à praia e, como não posso apanhar muito sol, lá convenci a minha mulher a que da parte da tarde a iria pôr de novo junto ao mar e que depois, a determinada hora, voltaria a buscá-la. Concordou e eu, mal a largava, corria para casa a entreter-me à roda do Tabuleiro. Durante uns dias tudo correu muito bem mas não é que num dia me absorvi um bocado mais e me esqueci da mulher na praia?! Nem queira saber, foi o bom e o bonito…

Quem são para si os damistas de maior destaque?

No que respeita ao jogo prático, conheço mal os actuais jogadores e não gostaria de ser injusto; mas na área do Problemismo, que é a que melhor conheço, continuo a preferir, o Dr. Orlando Lopes, que continua a ser o meu ídolo, e depois, por ordem de preferência, o Dr. Sena Carneiro, o Dr. Jorge Fernandes, o Francisco Henriques e o José Trabuco.

Tem algum episódio que gostasse de partilhar com os outros damistas que nos lêem?

Há muitos anos, frequentava uma Leitaria nas Escadinhas do Duque, perto da Estação do Rossio, onde me entretinha a jogar um bocado com os diversos jogadores que por ali paravam. Ganhava a uns e perdia com outros. Acontece que um deles era sem dúvida o mais fraco e perdia com toda a gente. Com todos… menos comigo! É que, não sei por que carga de água, nunca consegui ganhar uma sessão àquele homem. Os outros damistas já me gozavam pois de facto todos sabiam que ele era mais fraco que eu. Mas o certo é que criei um tal complexo que nunca saí vencedor. Uma vez apanhei-me a ganhar por 3-0 e pensei cá para comigo: Hoje é que vai ser. Combinámos jogar mais três jogos e perdi todos! O adversário virou-se para mim e disse: Bem, vamos fazer um último jogo para ver se desempatamos. E assim foi, desempatámos: Perdi 4-3. Nunca mais me esqueci disto!

PS: As Damas não são apenas terreno para o “jogador prático”. A Composição Artística, vulgo “Problemismo” é talvez a área que mais apela à sensibilidade e intuição do Damista. De facto, é nesse espaço que se encontram jóias de rara beleza que nos fazem ficar presos ao “Tabuleiro”. José Procópio é um desses artífices e, embora a caminho dos oitenta anos, continua a produzir imensos problemas que, infelizmente, nem sempre consegue mostrar à comunidade, por falta de publicações da especialidade. Passará agora a colaborar nesta página com alguns dos seus trabalhos.

Todos os damistas desejam as rápidas melhoras ao amigo José Procópio.

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por lusodama às 17:24

Quinta-feira, 20.11.08

Pare, pense e jogue – 152

Por Ludoxer

Ludoxer

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Jogam brancas e?

Solução do pare, pense e jogue (151)

No recente Torneio Internacional “Cidade de Lisboa”, jogou-se (19.10.2008) um jogo que teve o desfecho que constituiu o “desafio” colocado.

Como chegaram os adversários a tão bizarra situação. Veja-se: 10-14, 23-19; 14x23, 28x19; 05-10, 21-18; 10-13, 26-21; 01-05, 21-17; 05-10, 18-14; 11x18, 19-15; 12x26, 30x05 (a partir daqui as brancas só podem aspirar ao empate; a um remoto empate); 06-10, 27-22; 07-11, 25-21; 11-14, 05-01; 02-05.

E depois de inúmeras peripécias, atingiu-se esta situação: 05, 09, 10, 11, 14, 25 x (01), (07), 17, 24, 29 JB.

As brancas teimam em não desistir!

No desfecho reside todo o interesse deste “dramático” jogo. Ei-lo: 09-13, 24-20; 13-18, 20-15 (é possível que haja outro rumo para a vitória; este pareceu fácil e rápido, para mais estando o condutor das brancas já “farto” de tanta resistência); 11x20, 17-13; 01x16 (e a posição do diagrama), 18-22 (se 18-21, 07-04; 21-26, 29x22; 17-21, 29-25; 21-26, 16-30 GP)...

Luís Sá ficou largos minutos a olhar para o tabuleiro. Entre outras coisas estaria a pensar como foi possível ter deixado escapar a vitória... até que se decidiu a jogar: 07-04.

As brancas responderam de imediato: 17-21.

Mais algum tempo de reflexão por parte de Luís Sá... 04-08; 21-26, 16-30; 22-27 etc. E.

Terminado o jogo disse-lhe que havia perdido a oportunidade de fazer um brilharete pois a posição do diagrama está ganha pelas pretas!

Solução: 18-22, 29-26!; 22x29, 07-21!; 17x26, 16-30, prisão, GB.

Moral da história: É bom (preciso) conhecer temas problemísticos.

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por lusodama às 15:19

Segunda-feira, 17.11.08

O jogador e o problemista (um “mistério” para o leitor desvendar!) – parte I

Por Luís Xavier

Uma tarde amena propícia a uma cavaqueira de igual cariz.

Dizia ele, jogador:

- Há muitos anos observei um jogo entre principiantes. Nota-se logo que o são pelo facto de ambos consentirem a promoção de muitos peões… Eles cuidam assim interpretar o espírito do jogo. Pois vê a que situação chegaram:

jp-1.jpg

E, depois de a ter mostrado, prosseguiu:

- Nunca mais me esqueci desta posição! As brancas teriam acabado de tomar para a casa “30”, pois o lance era das pretas e elas executaram: 14x04 e as brancas souberam rematar a seu contento: 18-14, 26x17 (A); 14-21, 17x26; 30x21, 04-08; 25-29, 08-04; 21-25, 04-08; 25-04 GB.

(A) 04x18; 21x04, 26-19; 30-26, 19x29; 04-08 GB.

Posto isto recolocaram as pedras para novo jogo… Fiquei a matutar no que aconteceria caso as pretas tivessem de entrada jogado 26x17. À primeira vista julguei que se cairia no mesmo com 18-21 porém 11x04 e as brancas não têm lance para ganhar!

Que é que achas disto?

Foi então a vez do interpelado, o problemista, se expressar:

- Ora aí está uma bela ideia para trabalhar. Aquele desfecho que viste após 30x21 é conhecido no problemismo por tema castidade e é também muito útil ao jogador. A posição é muito rica e esconde algo que te vai surpreender. Deixa mostrar-te outra ocorrência prática que te poderá elucidar.

(Continua)

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por lusodama às 23:21

Quinta-feira, 13.11.08

Pare, pense e jogue – 151

Por Ludoxer

Sérgio Bonifácio x Luís Sá

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Jogam brancas e as pretas? 

Solução do pare, pense e jogue (150)

Um estudo (de 1971) dedicado pelo autor ao dr. OAL, que ao apresentar a sua solução escreveu: “Agradeço [...] esta sua primorosa composição. Está de parabéns! Passa para a nossa Antologia.” A última frase era típica de OAL como enaltecimento máximo dum trabalho... porém dela (Antologia) nunca se viu nada de concreto... É sem dúvida um trabalho extraordinário, antológico, que porventura ninguém desconfia como terminará. O peão da #08 está virtualmente eliminado. Mas como neutralizar o peão da #17? E esta teria sido uma ideia original do veterano Hilário Elias?

Em 1945 veio a lume da autoria de Luís António David: 01, 11, 15 x 25, 26, 28 JBG. Também dedicado ao dr. OAL! Veja-se a principal linha resolutiva: 15-20, 28-24; 20-23, 24-20; 23-27, 20-16; 27-30, 25-21; 11-14, 21-17; 30x21, 16-12; 14-19, 12-08; 21-18, 08-04; 18-25 etc GB como se irá ver. 

Veja-se então como Lança Elias (e se também o leitor, parabéns) resolveu a questão: 14-19!, 08-04 (se 17-13; 29-22!, 13-09/10; 22-29/13 etc GB); 29-25, 17-13; 01-05, 13-09; 05-10, 04-08; 25-29 e 29x15 e 15-02 e 02-05, prisão de Timoneda, GB.

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por lusodama às 15:16

Segunda-feira, 10.11.08

Espaço RR - 5

Por Ruaz Ramos

Escrevam as vossas opiniões nos comentários ou enviem por e_mail para lusodama@sapo.pt .

Nota de Lusodama: Não é engano o facto de surgir, novamente, um artigo chamado “Espaço RR – 5”. O anterior saiu por lapso, Ruaz Ramos tinha-o eliminado, por ter duas soluções. Assim, ignorem o artigo com o mesmo nome e que consta do blogue http://damas1.blogs.sapo.pt .

Criado na base de um final, numa posição idêntica, acontecido e ganho em jogo prático contra Eduardo Castelo, no mês de Maio de 2008.

E claro… JBG! Tentem lá…

esp-5.jpg

Chave: 11-07

Hipótese A: 06-03; 02-06, 03-12; 29-08, 17-03; 04-07, 03-12; 08-29 GB.

Hipótese B: 16-12; 07-16, 06-03; 04-07, 03-12; 16-03 e Rio GB.

Hipóteses de demolição:

Se 04-07, 16-12; 29-08 (a melhor), 06-03; 08-12, 03-10 Emp.

Se 29-08, 16-12 e 07-03 Emp. pois duas damas e dois peões não ganham a duas damas.                                      

Se 11-18 (ou 11-25), 16-12! (06-03 perdia com 04-07 etc.); 02-11 (a melhor), 12-07; 11-15, 07-03; 29-19 (a melhor para defender o peão 11), 17-06; 19-15 (se 11-14, 03-07 e GP!) Emp.

Se 11-14, 16-12; 02-11, 12-07; 11-15, 07-03; 15-20 (ou 15-19), 17-13 para se refugiar em 31 o que gera empate.

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por lusodama às 18:12

Quinta-feira, 06.11.08

Pare, pense e jogue – 150

Por Ludoxer

Hilário Lança Elias

ppj-150.jpg
Jogam brancas e?

Solução do pare, pense e jogue (149)

A situação é desesperada contudo as brancas conseguem empatar em virtude dum precioso pormenor: 17-21, 14-10; 21-26 (A), 25-29, 32-19!; 16-20, 10-05; 20-24! (B) E.

(A) Não se pode perder tempo. Se 16-20, 10-06!; 21-26, 29x22; 25-29, 22-18; 29-22, 18-14; 22-18/29, 14-10 etc GP.

(B) E não 20-23 por 19x28! e 05-01, bloqueio bipolar, GP.

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por lusodama às 15:13

Segunda-feira, 03.11.08

Retrato de Família – 21

Por Ruaz Ramos

Nome: José António da Silva Pereira

Pereira.jpg

Nome: José António da Silva Pereira

Local de Nascimento: Lisboa

Data do Nascimento: 18 - 07- 1940

Profissão: Fundidor (Reformado)

Estado Civil: Casado

Filhos: Um do sexo masculino

Currículo Damista:

Mestre Nacional

Campeão Nacional - Individual (86, 88 e 91)

Campeão Nacional - Equipas (14)

Campeão Nacional – Veteranos (98 e 00)

Taça de Portugal (9)

Super-Taça (3)

Torneio do Avante (7)

Torneios Abertos (5)

Secretário Associação Distrital de Setúbal

Conseguimos finalmente o retracto de Silva Pereira, o último dos campeões nacionais e mestres que, aparte Veríssimo Dias que declinou a entrevista, faltava na nossa galeria. O encontro com o nosso entrevistado aconteceu em Setúbal cujo diálogo decorreu intercalado pelas várias sessões de uma prova. Corpulento, pescoço forte e cara larga, olhos castanhos, com estrabismo no esquerdo, cabelo grisalho, voz forte, um tanto ou quanto rude, franco e sem artifícios; é o que se pode chamar uma pessoa, tipo “pão, pão; queijo, queijo”. Apresenta ser uma pessoa calma mas é, paradoxalmente, impaciente. Enverga sempre vestuário para o prático, não abdicando dos chinelos de cabedal, às tiras, que usa para se defender das artroses que lhe tolhem o andar e não lhe permitem outro tipo de calçado. As mãos e os joelhos também estão afectados por essa doença reumática mas lá vai suportando as dores.

Gostaríamos que desse uma vaga panorâmica da sua vida e de como a tem encarado.

Nasci em Lisboa porque foi para a maternidade Alfredo da Costa que levaram a minha mãe quando entrou em trabalho de parto. Mas considero-me do Laranjeiro. O meu pai era Caldeireiro no Arsenal do Alfeite e a minha mãe era doméstica. Fui o primeiro de três filhos, todos rapazes e embora naquele tempo fossem poucos os que podiam gabar-se de viver bem, tive uma infância normal, para a época. Jogava ao peão, à carica pela borda do passeio, e também à tampinha, que consistia em colocar a face de uma tampa de caixa de fósforos sobre outra do adversário e com uma palmada seca tentar virar ambas para ganhar a do outro. Mas o que mais gostava era de andar de bicicleta. Todos os dias ia até à Trafaria, a casa da minha avó e com quarenta e cinco anos ainda praticava Ciclo – Turismo. Gostava!

E nessa praia dava saltos das rochas para a água como dantes os putos faziam?

Lá ir para a praia ia como ainda hoje faço porque me faz bem à sinusite. Mas mergulhos do cimo das rochas é que nunca dei, que eu não era maluco. Sempre tive medo da água e ainda agora nado pouco. Não deixei, no entanto, de andar de bote a remos, participando no apoio aos nadadores que faziam a travessia Trafaria - Algés. Mas mal acabei a primária comecei logo a trabalhar numa fábrica de malhas que havia ali perto e acabou-se a praia. Pelos meus quinze anos o meu pai conseguiu meter-me no Arsenal do Alfeite, como aprendiz, e fui estudar à noite para a Escola Industrial Machado de Castro, acabando por desistir quando só me faltavam dois anos para completar o curso. Foi a primeira grande asneira da minha vida…

Quer dizer que fez outras asneiras…

A outra foi não ter aceitado o conselho do Dr. Fernando Lacerda em ser operado ao meu estrabismo. Para me tentar convencer chegou a levar-me a ver uma miúda que operara e que ficara curada. Ainda por cima não pagava nada! Mas tive medo…Também fui um pouco boémio e só pensava em boites. Só me casei aos 37 anos, com uma Cabo Verdeana, e do casamento tenho um filho, para além de uma enteada. No entanto fiz bem em reformar-me aos quarenta e seis anos, aproveitando uma lei do ministro Miguel Cadilhe que dava hipótese aos trabalhadores civis das Forças Armadas de se reformarem quando perfizessem trinta anos de serviço. Agora arranjei um biscate como porteiro no Clube Recreativo do Laranjeiro. 

Então e as Damas como aconteceram?

Tinha onze anos e jogava Xadrez quando apareceu, no clube, um jogador chamado

Manuel Tavares, mais conhecido pelo Ti Manel, que já havia ensinado Damas ao Jorge Gomes Fernandes e que começou a ensinar-me também. Após uns tempos comecei a frequentar a sede do Almada Atlético Clube onde se jogava bem e conheci em simultâneo o Artur Gomes e o Medalha da Silva. Mas foi o professor Matos Marques quem mais me incentivou para a modalidade. Claro que no início comecei a apanhar tareias de todos mas o Ti Manel decidiu trazer-me alguns jogos escritos e eu a pouco e pouco comecei a dar luta. Mas o meu início de forma mais séria aconteceu no primeiro Campeonato de Almada em que participei tendo empatado com o Artur e perdido apenas o último jogo com o Medalha da Silva. Quando em 1981 se iniciaram as provas da federação entrei logo para a equipa principal de Almada e na minha estreia consegui um nulo contra o Dr. Orlando Lopes. Conheço alguma coisa da Enciclopédia Damista através do Medalha e também do Lino. Em 1986 fui Campeão Nacional em ex - aequo com o Dr. Vaz Vieira, embora com melhor coeficiente no Sonnenborn-Berger. Em 1988, na Marinha Grande, ganhei o meu segundo Campeonato e em 1991 tornei a ser Campeão Nacional numa final jogada em abertura sorteada a três lances. Entretanto comecei a integrar a equipa nos Torneios Abertos e ganhei bastantes taças. Já só guardo as dos primeiros lugares e as que acho mais originais. Tenho oferecido muitas para certos torneios.

Em competição o que mais o fascina no jogo?

De uma forma em geral do jogo em si. Prefiro jogar abertura sorteada e gosto imenso do final de jogo, se tiver tempo suficiente para pensar… Tento sempre ganhar, mesmo quando jogo com alguns jogadores da equipa. Por exemplo, o Veríssimo Dias, por princípio joga sempre a matar e eu faço o mesmo. Então com o Luís Guerra… é uma guerra que vem de longe; cada um tenta derrotar o outro. Com os outros nem tanto. Mas várias vezes tenho empatado com o Medalha da Silva por nenhum conseguir ganhar embora muitos fiquem a pensar que foi por acordo…

Quanto a si quais são os melhores jogadores e como vê o futuro da modalidade?

O Vaz Vieira é o melhor jogador de sempre mas actualmente o Victor Oliveira é o maior e é bom em tudo. Quanto ao Medalha da Silva, se tivesse o meu feitio já tinha sido campeão o dobro das vezes. Falta-lhe algum espirito de competição e agarra-se pouco. O Veríssimo é um dos grandes impulsionadores da modalidade e se houvesse muitos como ele a modalidade estava muito mais cotada. Assim, penso que daqui a uns quinze anos as Damas acabam quando a actual geração terminar. Existem alguns indivíduos mais novos que constituem uma segunda linha em que, para além do Vítor Oliveira, se destacam, no Norte, o José Carlos, o Fernando Gonçalves, o Luís Sá, e mesmo o Perfeito de Aguiar. No Centro só o João Carlos parece despontar e no Sul apenas Vítor Cunha constitui promessa. Mas é bom que tenhamos consciência que é difícil captar novos valores. O Clube do Laranjeiro prontificou-se a arranjar uma equipa e a inscrever gratuitamente os jogadores na Federação. Pois mesmo assim não se conseguiu arranjar um número mínimo de interessados. Vive-se um ritmo diferente de antigamente. Os jogadores de uma forma em geral só pensam em ganhar e nem sabem finalizar. Querem tudo para ontem e a nova geração vive paredes-meias com a droga. Tive um enteado que foi uma das suas vítimas.

Lembra-se de algum episódio acontecido nas Damas que ache interessante contar?

Há anos entrei num campeonato em Almada. Numa jornada que coincidia com afazeres da minha vida particular, decidi, para não ter falta de comparência, efectuar a partida rapidamente, oferecendo a vitória ao adversário. Como tinha planeado, perdi os dois primeiros jogos e, então, propus o empate para os restantes. Foi com grande surpresa que vi o adversário rejeitar a proposta. Fiquei perplexo e, desistindo de ir tratar dos meus assuntos, agarrei-me ao Tabuleiro e ainda consegui empatar a partida... 

PS: Silva Pereira - embora no Sul conhecido por Zé Pereira trato-o assim para não fazer confusão com outros dois damistas com esse nome – foi sempre um dos mais difíceis adversários para jogadores de qualquer calibre.

Tem a particularidade de ter sido o último entrevistado pelo Espaço Damista, corria o ano de 2002.

Desde então, e por motivos de saúde, não mais competiu oficialmente e, embora apareça por vezes nalguns Torneios Abertos, não compete.

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por lusodama às 18:05


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