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Segunda-feira, 29.12.08

Memória sobre a Regra dos 20 lances - (resumo dos principais factos)

Por Luís Xavier

1) Foi criada pelo dr. Sena Carneiro que a apresentou e defendeu a páginas 1916 da revista Enciclopédia Damista (Junho de 1978) (a);  

2) A então dita “lei dos 20 lances” foi assim formulada pelo seu autor: “Logo que no tabuleiro surja qualquer posição com o máximo de 4 (quatro) peças de cada lado, sendo pelo menos uma dessas 4 peças (de cada lado) dama, aplica-se a lei dos 20 lances.” (b);

3) A “lei dos 20 lances” passou (em 1978) a ser a terceira regra limitadora de lances, isto é, aplicar-se-ia a todos os finais que não a forçada (3 damas e posse do rio x dama) a ser resolvido em 12 lances, e o saque de peão ou simplesmente saque [2D+P(02) ´ D+P(09)], a ser resolvido em 32 lances;

4) Em 1980 a Federação Portuguesa de Damas (fundada em 18.05 desse ano) viria a homologar a “lei dos 20 lances” que passou a constituir a 26ª regra do jogo com a seguinte redacção: “Quando um jogador possuir um máximo de quatro peças, sendo pelo menos uma dessas peças dama, permitem-se 20 lances a cada um dos jogadores para se decidir do resultado do jogo. A contagem, que será efectuada para ambas as cores, terá início ao primeiro lance que ocorra após surgir a situação referida. Sempre que seja efectuado lance de peão, por qualquer dos jogadores, ou seja capturada alguma dama, a contagem reiniciar-se-á no lance seguinte.”;

5) A formulação atrás vigorou até finais do ano de 2000. Em 2001 as Regras Oficiais do Jogo de Damas Clássicas foram revistas (Assembleia Geral Extraordinária da F.P.D., de 21.01.2001) e a regra dos 20 lances passou integrar a alínea a) do 23º artigo e desde então tem a seguinte redacção (da autoria de Ruaz Ramos) “Quando, por qualquer dos adversários, forem efectuados 20 lances de dama(s) sem que qualquer das cores tenha efectuado movimento de peão, captura ou entrega de peça, considera-se o jogo empatado. Sempre que um dos tipos de lance mencionado for concretizado, a contagem reiniciar-se-á no lance seguinte. A referida contagem deverá ser efectuada por qualquer dos adversários assim que surja posição passível de aplicação desta regra” (b) (c);

6) No C.Tomar, de 06.04.2001 historiei a regra (lei) dos vinte lances e levantei a questão de ela não abarcar o final de Vaz Vieira [2D + 2P (04, 24) ´ D + 2P (08, 31)]. Este final “nasceu” em 1995, tendo Vaz Vieira demonstrado (na Enciclopédia Damista, Abril de 1995) que as brancas ganham tecnicamente, mas não cuidou de apurar se na linha mais longa aquela regra poderia ser observada (d);

7) Em 2005, Vaz Vieira resolve atacar a questão e faculta-me para publicação no Cidade de Tomar umas notas que serviram de base ao texto saído na edição de 10.06.2005 (em simultâneo no blogue “Damas”, como podem ver no endereço http://damas.blogs.sapo.pt/arquivo/662137.html). Dele extraio duas passagens:

I) “[...] E nele pode verificar-se que, partindo de certas posições do seu final, não é possível, cumprindo a “lei dos 20 lances”, obter o ganho para a cor em vantagem. Estava satisfeita a minha dúvida – ou melhor – a dúvida por mim veiculada, há 4 anos atrás.

II) “O dr. Vaz Vieira não tira consequências desta sua comprovação, a saber: Deverá a lei dos vinte lances ser modificada ou deverá admitir-se posições (e não serão poucas!) em que, por força duma convencional limitação, a cor em vantagem não possa ganhar o jogo?”

E a concluir: “Mas agora que se fica a saber que muitas posições do final de Vaz Vieira não são resolúveis em 20 lances espera-se uma posição oficial.”.

20 lances.jpg

Notas adicionais:

(a) É muito útil ler-se o texto do dr. Sena Carneiro, que representa a certidão de nascimento duma importantíssima regra.

(b) O espírito desta lei (regra) corresponde à “velha” regra dos 50 lances adoptada no xadrez a qual dispõe, mais ou menos isto: Se no decurso de 50 lances uma das cores não efectuar um movimento de peão o adversário tem o direito de reclamar o empate.

Em geral nunca é invocada porquanto os opositores reconhecem o carácter inerte da posição e um, ou outro, propõe o empate, que obviamente é aceite.

Nos últimos anos devido às análises a finais realizadas por meios computacionais a “regra dos 50 lances” foi substancialmente alargada, pois foi demonstrado que certos finais considerados impossíveis de ganhar, afinal podem não o ser!

(c) Aquele artigo (da limitação dos lances) passou também, e apenas, a contemplar [na alínea b)] a forçada. Consequente e logicamente a nova formulação da regra dos 20 lances englobou o saque.

(d) Recordo o que então escrevi: “[...] partindo-se da pior posição para as brancas e contra a melhor defesa, talvez, repito talvez, não seja cabível [ganhável tecnicamente] dentro dos 20 lances regulamentados. Ainda que remotamente, o condutor das brancas poderia ser prejudicado pela lei...

Seria conveniente que o próprio autor e, ou, a F.P.D., aclarassem esta questão. Tratando-se dum jogo racional (descontando o facto circunstancial da emoção poder interferir...) é importante que este ponto sombrio, esta dúvida, não subsista. E a subsistir pode acarretar graves problemas. A equipa directiva da F.P.D. andará avisada e agirá bem se os resolver... por antecipação!”.

(A Federação Portuguesa de Damas nunca tomou posição sobre esta problemática).

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por lusodama às 12:26



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